“Meu caro amigo eu bem queria lhe escrever...”

Eu comecei escrever este texto pelo menos duas vezes mas o apaguei. Pensei. Reescrevi. Apaguei novamente. Resolvi, então, escrever mesmo assim pois talvez seja a única forma de atingir mais pessoas estando longe. À medida que avançamos para a reta final da decisão de grande parte do futuro, peço que, seja lá qual for sua opção, considere algumas coisas.

Primeiramente, pensem e repensem sobre o delírio que paira na cabeça de muitos. Parem, respirem e pensem. E, caso ainda estiverem na dúvida, me chamem para conversar.

Entendo a frustração de muitos com os últimos anos do governo do PT. Mas, como bem apontou Eliane Brum na sua coluna do El País desta semana, “esta é uma eleição em que um candidato tem um projeto democrático e o outro nega a própria democracia.”

O mundo, os intelectuais e os artistas estão avisando e mesmo assim parece que poucos escutam. Como nos enfiamos e nos acorrentamos na caverna de Platão brasileira que o WhatsApp criou? O projeto de Brasil que sonhamos começa na democracia, no diálogo, na união de forças e nos nossos talentos. Pensar de forma binária é limitante. Como já diz o velho cliché: é no momento de dificuldades que temos a chance de recomeçar. Porém sem respeito às diferenças e aos mais vulneráveis, as dificuldades e o desejo pela mudança estão fadadas a permanecer ilusões.

Moro no exterior há quase 5 anos. Deixei o Brasil porque sempre tive sonhos de vivenciar o mundo, provar novos modos de pensamento e conhecer novas possibilidades de entender a vida. Não deixei o Brasil porque eu o odiava. Não deixei o Brasil porque estava fadado ao que muitos erroneamente chamam de ‘comunismo’ ou porque não havia boas universidades. Deixei o Brasil para melhor voltar. E hoje, muito mais maduro e com maior clareza que quero retornar em breve, me sinto com medo, assim como outros milhões de pessoas cuja existência possa estar ameaçada sob a governança de alguém que prega a tortura.

Não me digam que eu não sei o que é a realidade brasileira. Quem me conhece de verdade sabe as dificuldades que enfrentei na vida. Sempre tive muito pouco mas este pouco que tive, somado às oportunidades, apoio e preparação, me possibilitaram a chegar a um lugar de extremo privilégio que 7 anos atrás eu jamais imaginaria alcançar. A educação transformou a minha vida e quero poder ajudar outros a seguirem seus sonhos. Mas como fazê-lo num ambiente que minha própria existência e a existência das pessoas que mais amo e admiram são vistas com repulsa?

Dito isto, peço que pensem no futuro que querem para nosso país e para a manutenção da democracia que foi tão suada de conseguir. Neste período conturbado, ficou cada vez mais claro para mim que perdemos muitas coisas, independente de quem ganhar. Eu sempre falo do Brasil com orgulho, com amor pela nossa cultura, nossos costumes, nossas tradições, nosso calor. Mas confesso que esse período me fez repensar mais sobre a bolha que talvez eu mesmo me inseri, sem perceber que há um Brasil racista, preconceituoso e que pensa de forma retrógrada usando a religião e os falsos valores tradicionais de união e fraternidade da família para violentar, ostracizar e oprimir. Um voto no Haddad não é necessariamente um voto a favor dos erros do PT. É um voto a favor da democracia, para a liberdade de pensamento, para o cultivo de novas oportunidades, e para o engajamento mais unido de pessoas que possam fazer a diferença começando hoje e se estendendo ao amanhã.

Para as pessoas que amo e que compactuam com o ódio e punho de violência do seu candidato, eu lhe pergunto: este ódio e intolerância te representam? E, independente da sua opinião politica, vamos cultivar o amor e o respeito. Mesmo que sua opinião possa ferir minha existência diretamente, eu prometo que tentarei cultivar a empatia e compaixão, pois são as única coisas que posso fazer ao invés de propagar o ódio. E, para terminar, quero ressoar a ideia que o Caetano Veloso escreveu ontem na coluna de opinião do The New York Times: O Brasil não é um pais para iniciantes, nas palavras de Jobim. Mas eu não quero morar para sempre em outro lugar senão o Brasil.

Somos mais que Bolsonaro. E podemos fazer melhor!

Mesmo que não conseguimos, pelo menos tentamos e, agora, mais do que nunca, precisamos nos unir.

Se juntando ao Movimento #Halcirina, estudantes de Harvard e MIT unidos pela democracia contam por que apoiam Haddad no segundo turno. Saiba mais no link: https://www.change.org/p/fernando-haddad-chegou-a-hora-de-haddad-se-transformar-no-candidato-do-brasil Convidamos vocês a se manifestarem com a hashtag #AgoraeHaddad e o motivo principal da sua escolha. Está indeciso? Mande seu vídeo para o Haddad com a hashtag #EuVotarianoHaddad e sugestões.