No Brasil se fala Português, né?

Work originally written for the Brazilian Student Association (BRASA) blog.

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7:30 a.m. na costa oeste Americana e mais de meio dia no horário de Brasília. O despertador do meu celular toca e a música “Será” do Legião Urbana me acorda de Segunda à Sexta-feira. “Eu posso estar sozinho mas eu sei muito bem onde estou.” Talvez não seja bem assim comigo, Renato Russo.

Mas, a energia da música me ajuda a enfrentar a decepção de olhar na janela e ver um céu nublado. Tem sido assim quase todo dia desde Novembro.  

Verão no Brasil e aqui chuva e céu cinza dias a fio. Como nos filmes, os Americanos esperam ansiosamente para o verão e adoram fazer planos. Agora morando no Oregon, eu também não poderia deixar de embarcar nesta também.

Embora o inverno aqui não seja tão rigoroso, confesso que é muito difícil não se entregar à saudade de casa e aos pensamentos confusos sobre o futuro quando chove sem parar e o sol não aparece com aquele céu azul por vários dias. É uma forma de eu me lembrar diariamente que eu preciso aproveitar cada dificuldade com perseverança.

Evidentemente, estudar aqui vai muito além de se adapatar ao clima.

Para muitos, morar em outro país é sinônimo de liberdade. Para outros, deixar o Brasil significa deixar pra trás os amigos verdadeiros, a amada família e um pouco de quem você achava que sempre foi—ou quem possivelmente seria. Para mim, morar fora é a combinação de tudo isso com aquele choque de realidade que o mundo nos oferece e que nos impulsiona a conhecer sobre os outros como uma forma de nos auto-conhecermos. Porém, há uma lista inacabável de coisas que sempre sinto falta do Brasil.

Mas uma delas que sempre me cutuca é a saudade do Português. Não há no Inglês uma outra palavra para expressar esse sentimento que é a saudade que todos nós que estudamos aqui compartilhamos.

Morar e estudar em uma universidade onde se fala outra língua exige preparação, paciência e resiliência.  Embora eu sempre fosse fascinado por Inglês na escola, eu percebo que somente depois de vir para os EUA que eu percebi o valor da língua Portuguesa como parte da minha identidade como brasileiro. Antes eu não sabia muito sobre o mundo lusófono ou do valor da nossa música.

É inevitável não ter uma motivação maior e um orgulho—apesar de todas as dificuldades recentes que o Brasil enfrenta—toda vez que compartilho o pouquinho que eu aprendi sobre MPB enquanto morando nos EUA, por exemplo. Se quiser realmente conhecer ou tentar entender o Brasil, todos nós precisamos ouvir sua música.

Claro que sempre vai haver alguém tentando falar espanhol comingo depois de me apresentar como brasileiro. Aliás, comigo isso acontece quase toda vez quando anuncio meu sobrenome como “Bueno.” Escutar espanhol muitas vezes no campus, além das as aulas de francês que agora faço (não esquecendo quando eu decidi tentar aprender um pouco de árabe – veja aqui no meu outro post para o Brasinhas), só confirmo a noção valorizar a importância do papel do Português em quem eu sou e sempre serei.

Graças às atividades relacionadas ao Português na BRASA na University of Oregon, parece que a UO tem o maior programa de Português no Noroeste Americano. Isso só me orgulha de poder ter amigos que querem aprender sobre o Brasil e sobre nossa língua.

Volto pro Brasil somente depois Agosto, mas até lá a saudade vai continuar. Mas com ela carregarei a vontade de levar a nossa língua àqueles que ainda não conhecem o lugar que sempre será minha casa e onde meu coração sempre estará.

7:30 a.m. Será que é tudo isso em vão? Será? – Legião Urbana