Hora de férias de verão?

Work originally published for the Brazilian Student Association (BRASA) blog.

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“Have a great summer!” —Esta foi a frase que eu sempre esperaria um dia poder ouvir durante a minha experiência estudando nos Estados Unidos. Como um fã de longa data de Harry Potter, sempre me perguntava o que o verão ou inverno realmente significaria para quem mora no hemisfério norte, mesmo que você fosse obrigado a ficar debaixo das escadas na casa dos tios Dursleys na casa da Rua dos Alfeneiros.

Para aqueles que fazem faculdade longe de casa—no desconforto e intensidade mágica pra lá de Hogwarts—, voar um continente todo para chegar a casa é um alívio da mesma forma que pegar um trem de volta para a plataforma 9 3/4. Um alívio por saber que, acima de tudo, um longo ano se passou e coisas novas foram conquistadas e que, na chegada ao aeroporto, você poderá abraçar quem realmente ama. Mas, neste caso, será sair do começo do verão americano para o inverno à moda tropical Brasileira—regado a Sol (e um pouco de céu nublado para quem é de São Paulo, porém sem nenhum carro azul voando por aí).

Antes do verão temos muito para planejar. Alguns fazem voluntariado em ONG’s em outro país, outros arrumam um estágio nos próprios Estados Unidos, ou então arrumam um summer job no Brasil—o que é uma excelente oportunidade para melhor aprender sobre a realidade do nosso país. Agora imagine o estresse desta fase como uma pancada de um balaço em um jogo de quadribol!

De fato, acredito que no meu caso as últimas semanas de aulas são sempre as mais intensas, já que logo depois das provas finais e trabalhos, temos que nos preparar para ir para casa (casa de verdade, aquela com a nossa cama, travesseiro e onde não precisamos tomar banho de chinelos)—e isso envolve uma batalha sentimental. Sentimental porque temos que desconstruir para construir: desmontar o quarto, encaixotar os livros, doar coisas e fazer sua vida de um ano todo caber em duas malas de 32 kg cada. Depois de olhar os corredores dos dormitórios vazios, uma certeza nostálgica surge: o fim chegou. Mas o começo do fim logo em breve será renovado com alunos de todas partes se mudando no outono. Afinal, é preciso terminar para recomeçar, né?

Para muitos, a experiência de morar na universidade é viver uma vida que não encontramos fora dali—o que é bom e ruim, já que não podemos experimentar o mundo na sua maior totalidade, mas somos privilegiados para enxergá-lo de uma forma mais próxima ao cultivar novas amizades com pessoas de várias realidades.

O que é legal é ver que nós, brasileiros, somos capazes de lidar com isso muito bem. Há quem diga que nossa própria história nos torna eficientemente aptos para nos adaptar a novos ambientes, e talvez esta seja a grande vantagem em ser brasileiro em uma universidade estrangeira.

Para concluir, deixo um trecho do texto do blog da Ruth Manus no Estadão:

“A vida de quem inventa de voar é paradoxal, todo dia. É o peito eternamente divido. É chorar porque queria estar lá, sem deixar de querer estar aqui. É ver o céu e o inferno na partida, o pesadelo e o sonho na permanência. É se orgulhar da escolha que te ofereceu mil tesouros e se odiar pela mesma escolha que te subtraiu outras mil pedras preciosas. (…) O preço é alto. A gente se questiona, a gente se culpa, a gente se angustia. Mas o destino, a vida e o peito às vezes pedem que a gente embarque. Alguns não vão. Mas nós, que fomos, viemos e iremos, não estamos livres do medo e de tantas fraquezas. Mas estamos para sempre livres do medo de nunca termos tentado. Keep walking.”

Have a great – summer – winter!