A Liberdade e Medo de ser Criança na Vida Adulta

Work originally published for the Brazilian Student Association (BRASA).

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Iago, arrume os brinquedos porque é hora de almoçar!

Lá pelos 10 anos de idade, eu lembro que era sempre divertido passar horas brincando de ser adulto, mesmo quando minha mãe parecia querer estragar tudo quando meus amigos e eu estávamos na melhor parte. Aliás, atire primeira pedra aquele que nunca brincou de escolinha ou qualquer outra aventura que envolvesse a imaginação e a vontade de ser gente grande. Vir para a faculdade fora do Brasil, morar longe, falar outra língua e muitas vezes quebrar a cara parecem não ser o suficiente.

Talvez ser adulto nos dava a noção de liberdade que precisávamos para que a vida que nos era imposta fizesse algum sentido de alguma forma, embora ainda não soubéssemos que a infância seria uma das mais de maior liberdade para viver e, claro, ser.

Até depois de passar no vestibular ou de receber a carta de admissão de uma universidade em terras estrangeiras, a noção de “ser adulto” parece ainda ser mais deturpada. Se por um lado somos fortes e maduros o suficiente para alcançarmos conquistas e tomar decisões que impactam nossas vidas para sempre, por outro somos vulneráveis às dúvidas do presente e a ansiedade em torno de quem — realmente — somos.  Antes de vir para os EUA, eu achava que seria tudo como nos filmes. Realmente é, em vários aspectos, mas muito diferente em outros. Contudo, talvez a ingenuidade de “ser criança” talvez não me permitisse ver o lado difícil de enfrentar na vida adulta.

As últimas semanas foram difíceis, mas igualmente interessantes. Todas redações entregues, provas feitas, trabalhos apresentados e passagens de avião reservadas. Agora, o que falta? Faltavam algumas coisas: arrumar as malas e guardar todas as coisas aleatórias que definem a vida universitária e, óbvio, a coragem de enfrentar a vida de frente e mostrar que agora acho que posso ser adulto.

Semana passada tive que esvaziar o apartamento 128 que morei por dois anos para começar uma outra aventura. Meu roommate se mudará para a Tanzânia e eu irei fazer dois estágios de verão, trabalhando como instrutor de um summer program em Yale e depois com storytelling e midias em uma ONG em Buenos Aires. Como não ficarei no Oregon durante o verão, precisei sair do meu apartamento e escolher um outro lar para morar no ano que vem. Ano que vem meus melhores amigos e eu vamos morar em um condomínio e seremos todos vizinhos. O tempo está passando muito rápido e isso começa me assustar. De fato, este é um dos pontos cruciais que definem as principais diferenças entre ser adulto e ser criança: a noção de tempo.

Sair do Oregon para ir para Connecticut será uma grande mudança, mas estou ansioso para encontrar os desafios e para conhecer gente nova. No próximo post contarei um pouco sobre o estágio e as dificuldades. Por enquanto, vou continuar tentado descobrir como podemos viver uma vida adulta mais feliz usando a verdadeira liberdade que todos nós um dia tivemos quando criança. Alguma sugestão?