viagem

Pisar em Zanzibar

No horizonte

Longe mas não distante

Vejo aquilo que a cegueira quase me impede

O verde das águas e seus variados tons

Trazem até mim os mais serenos sons

 

Junto com sons e tons vem a brisa

Morna das águas agitadas do Índico

Que refresca o tempero da história

Para acalmar as especiarias que brotam em Zanzibar

E contornar o longo rosto Africano que beija o mar

 

Com as várias cores e cheiros

Do amarelo ao vermelho

Do apimentado ao adocicado

Aqui estrangeiro sou

Sem nem sequer saber o que já passou

 

Mas é com os pés que sinto as marcas do passado

É pelo andar nos corais silenciosos gravados nas rochas

Com todos tamanhos e formas

Que percebo que aqui

Eu quem sou o atrasado

 

Como uma mensagem do que passou

Piso só para pensar na pequenitude do nosso tempo

Diante daquilo que passou e não senti


O sentir de tudo aquilo que quase nunca sinto

N’onde nunca pensei estar para pisar

Esculpe em mim o desejo de viver mais

Ou de viver menos

Para sentir mais

E talvez em sentir o que quase nunca sinto

Pisando aqui em Zanzibar

ou

em qualquer outro lugar.