Nosso Brasil é brasileiro?

Ah, Brasil… Tu és mesmo um lugar curioso. Talvez seja mesmo “um sonho intenso, um raio vívido de amor e de esperança,” como diz nosso hino. Esperança? Sempre. Aliás, Deus é Brasileiro, não é? Um não existe sem o outro, oras! Pergunto-me então como podemos ser um lugar tão amado e odiado ao mesmo tempo. O ditado brasileiro dos anos 70 conhecido por é “8 ou 80” consegue ser os dois ao mesmo tempo no Brasil de agora.

“Brasil, um país tropical abençoado por deus e bonito por natureza, mas que beleza!” O país da maior parada gay no mundo, mas onde também se assassina mais LGBT do que em qualquer outro lugar do planeta. Como conseguimos ser considerado por muitos o melhor lugar para ser feliz e, por outros, talvez um lugar com uma confusa realidade injusta e ilusória de alguns dias de carnaval que sempre acabam na bendita quarta de cinzas? Espero mesmo é que possamos renascer das cinzas depois de tanta mixórdia; porém, desta vez, temos que ser mais fortes.

Estão enganados os que pensam que morar em outro país alivia a realidade até nos termos mais egoístas possíveis—não alivia, não.

É ser estrangeiro duas vezes.

Sempre tem um fulano que vem com um sorriso e diz: “Wow, você é do Brasil”. Dói porque sei que ser do Brasil é sempre sinônimo de coisas boas (e assim deveria ser para todo lugar em um mundo ideal), mas não é sempre que consigo manter o mesmo entusiasmo depois de tanta decepção.

Entretanto, confesso que tento, tento e tento. Em todos os países que fui, ser brasileiro sempre me ajudou a fazer novos amigos—é algo “so cool”, como diriam os gringos. É da terra adorada em outras mil que estão as pessoas que mais amo e onde se fala a língua da minha alma. Mas, antes de tudo, acho que amor e esperança precisam assumir seus verdadeiros valores dentro de nós antes de começarmos imaginar que tudo se resolva, sendo Deus brasileiro ou não.

E eu achando que amor e esperança sempre eram abundantes dentro da nossa gente brasileira. Pelo menos estas são algumas das coisas que me dão forças para continuar… A chamada velha “esperança”, se preferir.