Caixinha de Palavras

Perdi-me nas palavras que um dia saíram de mim.

Se antes eu as jorrava com gosto, hoje eu as preservo à sete chaves. Não por medo algum, mas simplesmente por preguiça e zelo—mas eu prefiro culpar a dona preguiça. Aliás, quem não gosta de ser um pouco preguiçoso de vez em quando?

Talvez a preguiça seja a saída mais óbvia para aqueles que amam qualquer coisa com demasiada intensidade. Amar, neste caso, cansa. Poderiam as razões do amor serem as verdadeiras causas de preguiça? Dar preguiça só de pensar.

Mas, no mundo das palavras—das genéricas às mais elegantes—penso que não deveria existir tanta preguiça se não somente para disfarçar o medo inato que sentimos em usá-las.

O tempo continua, contudo, provar que não devo guardar as palavras simplesmente pela razão destas serem tesouros e, como tal, terem duas opções fulminantes: meramente para enterrar e marcar num mapa qualquer, ou para usar pro nosso próprio benefício.


Vagarosamente percebo que o mapa do tesouro para as palavras perdidas que eu escrevera se perdeu há muito—ou talvez eu não mais reconheça por onde me meti.

Talvez eu só esteja com preguiça para encontrar um novo tesouro que eu mesmo escondi.

Então como posso saber?